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Custo e Despesa: Qual a Diferença e Por que Isso Importa para a Gestão da Construtora

Foto do escritor: Liza | Construtábil
Liza | Construtábil
há 11 minutos
5 min de leitura
Este artigo tem base no CPC 16 (R1) — Estoques, no CPC 17 — Contratos de Construção, no CPC 26 — Apresentação das Demonstrações Contábeis, e no Art. 187 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações), que define a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício.

Dois gastos acontecem no mesmo dia. Um é o pagamento dos materiais da obra. O outro é o pagamento do aluguel do escritório da construtora. Para o caixa, ambos saíram. Para a contabilidade, são coisas completamente diferentes, e tratá-los da mesma forma produz um resultado que não reflete a realidade da empresa.

A distinção entre custo e despesa é um dos fundamentos da contabilidade, e também um dos pontos que mais gera confusão na gestão de construtoras e incorporadoras. Classificar errado não é apenas um problema técnico: afeta o lucro bruto calculado, o resultado por obra e, em alguns casos, a base de cálculo dos tributos.


O ponto de partida: o que é gasto

Antes de separar custo de despesa, é útil entender o termo mais amplo: gasto. Gasto é qualquer desembolso ou comprometimento financeiro da empresa, seja para comprar materiais, pagar funcionários, quitar um aluguel ou fazer um investimento.

Dentro do universo dos gastos, a contabilidade faz distinções importantes. Custo e despesa são as duas categorias mais relevantes para o resultado do exercício. Mas existe também o investimento, que é um gasto que gera benefícios futuros e é registrado no ativo da empresa, e a perda, que é um gasto anormal, sem relação com a produção ou com a operação.


O que é custo

Custo é o gasto diretamente vinculado à execução do produto ou do serviço que a empresa vende. Na construção civil, custo é tudo que foi consumido para executar a obra: os materiais, a mão de obra que trabalhou no canteiro, os equipamentos utilizados, os subempreiteiros contratados para partes específicas do serviço.

O custo está ligado ao que é entregue ao cliente. Sem ele, o produto ou o serviço não existe. Quando a obra termina e a unidade é vendida, o custo acumulado durante a execução sai do balanço e vai para a Demonstração do Resultado como Custo dos Serviços Vendidos.

O CPC 17 — Contratos de Construção define que os custos do contrato incluem os custos que se relacionam diretamente com o contrato específico, os custos atribuíveis à atividade de construção em geral, e outros custos que possam ser cobrados ao cliente conforme os termos do contrato.


O que é despesa

Despesa é o gasto necessário para manter a empresa funcionando ou para gerar receita, mas sem relação direta com a execução da obra. O aluguel do escritório precisa ser pago todo mês, independentemente de quantas obras estão em andamento. O salário da equipe administrativa não varia conforme o andamento da construção. Os juros do empréstimo bancário não têm vínculo com o canteiro.

A despesa não é consumida no processo produtivo. Ela sustenta a estrutura da empresa que viabiliza a produção. Por isso, na Demonstração do Resultado, as despesas aparecem depois do lucro bruto, separadas dos custos.


Custo direto e custo indireto

Dentro dos custos, existe uma subdivisão importante para a construção civil: custos diretos e custos indiretos.

Custo direto é o que pode ser atribuído a uma obra específica sem necessidade de rateio. O cimento comprado para a obra A é custo direto da obra A. A mão de obra do pedreiro que trabalha exclusivamente nessa obra também é custo direto dela.

Custo indireto é o gasto necessário à produção, mas que não se consegue vincular diretamente a uma única obra sem algum critério de rateio. O salário do engenheiro que supervisiona três obras ao mesmo tempo é custo indireto: precisa ser distribuído entre as obras com base em um critério definido, como horas dedicadas a cada uma.

Essa distinção é relevante porque a gestão por obra depende de saber quanto cada projeto custou de fato. Um custo indireto mal rateado distorce o resultado individual de cada empreendimento.


Exemplos práticos na construção civil

Exemplos de custo na construção civil

Exemplos de despesa na construção civil

Materiais de construção (cimento, ferro, tijolos, areia)

Aluguel do escritório da construtora

Mão de obra de pedreiros, eletricistas e encanadores na obra

Salário do pessoal administrativo e financeiro

Subempreiteiros contratados para executar parte da obra

Honorários contábeis e jurídicos

Aluguel de andaime, betoneira e equipamentos utilizados na obra

Juros de empréstimos e encargos financeiros

Engenheiro residente que trabalha exclusivamente na obra

Comissões de corretagem sobre vendas de unidades

INSS sobre a mão de obra empregada na execução da obra

Material de escritório e despesas administrativas gerais

Energia elétrica consumida diretamente na obra

Energia elétrica do escritório central da empresa

Um ponto que gera dúvida frequente: energia elétrica. Se o gasto é com a energia consumida na obra, é custo. Se é com o escritório central da construtora, é despesa. O mesmo gasto, com classificações diferentes, dependendo de onde foi consumido.


Como a diferença aparece na Demonstração do Resultado

A estrutura da DRE, definida pelo Art. 187 da Lei nº 6.404/1976, separa os custos das despesas em linhas distintas e produz dois resultados intermediários importantes: o lucro bruto e o resultado operacional.

 

Linha da DRE

O que representa

Receita bruta

Faturamento total com a venda de unidades ou serviços de obra

(-) Deduções tributárias

Impostos sobre a receita (ISS, PIS, COFINS etc.)

= Receita líquida

 

(-) Custo dos Serviços Vendidos (CSV)

Aqui entram os custos: materiais, mão de obra de obra, subempreiteiros

= Lucro bruto

Primeiro resultado: mostra quanto sobrou depois de pagar o que custou executar a obra

(-) Despesas com vendas

Comissões, marketing, publicidade

(-) Despesas administrativas

Escritório, pessoal administrativo, honorários contábeis

(-) Despesas financeiras

Juros, encargos bancários

= Resultado operacional

Resultado depois de descontar custos e despesas

O lucro bruto é o que sobra depois de pagar o que custou executar os serviços. Ele mede a eficiência da produção. O resultado operacional é o que sobra depois de pagar também as despesas da estrutura da empresa. Cada número tem uma leitura diferente e serve para decisões diferentes.


Por que classificar errado tem consequência

Quando um custo de obra é lançado como despesa administrativa, o lucro bruto da empresa fica menor do que realmente é. A construtora enxerga uma margem de obra pior do que a real. Decisões de precificação, de aceitar ou recusar contratos, de dimensionar equipe de obra, todas são afetadas por esse número distorcido.

O caminho inverso também é problemático: lançar despesa administrativa como custo da obra infla artificialmente o resultado bruto e esconde ineficiências da estrutura da empresa.

Na incorporação imobiliária, a consequência vai além da análise gerencial. O método POC, que define como e quando a receita de uma incorporação é reconhecida ao longo da obra, usa os custos incorridos como base de cálculo. Classificar erroneamente um custo afeta o momento de reconhecimento da receita e, consequentemente, a apuração dos tributos sobre ela.


Como a Construtábil apoia construtoras e incorporadoras na gestão contábil

A classificação correta de custos e despesas exige conhecimento do setor. Na construção civil, muitos gastos ficam em uma zona cinzenta: o engenheiro que divide tempo entre obra e escritório, o equipamento que é usado em múltiplos projetos, o seguro que cobre tanto a obra quanto o patrimônio da empresa. Cada caso tem um tratamento correto e um critério de rateio adequado.

A Construtábil cuida da escrituração contábil de construtoras e incorporadoras com foco na realidade do setor, garantindo que custos e despesas sejam classificados corretamente em cada obra e em cada demonstrativo. Mais informações em construtabil.com.br/contato.

 
 
 

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